Os já aqui mencionados desafios que se colocam às nações a partir da interseção de várias tendências pesadas (alterações climáticas; transformações demográficas; urbanização; etc.), e o seu impacto esperado no incremento da escassez de recursos, são de uma enorme dimensão, e as questões (problemas e oportunidades) que levantam só podem ser resolvidas através de uma ambiciosa mistura de soluções. Não só são necessários acordos políticos globais e investimento muito significativo de suporte à adaptação e resposta das sociedades a estes desafios, como também são necessárias novas abordagens e pensamento inovador. Novas tecnologias menos exigentes em recursos devem ser difundidas, desenvolvidas e adotadas para que os desafios não se tornem de ainda mais difícil gestão.

Hoje, a I&D&I orientada para a sustentabilidade é uma característica das atividades diárias de muitas organizações. Realizar este tipo de atividades exige novas formas de pensar, bem como o envolvimento e atualização ativa de competências dos vários atores. Dos últimos dados disponíveis do Inquérito Comunitário à Inovação (2010) pode extrair-se que, em Portugal, do total de empresas com atividades de inovação tecnológica, 27,1% fizeram-no para reduzir o material e a energia usados por unidade produzida e 25,9% para reduzir o impacte ambiental. É uma demonstração clara do potencial de inovação das empresas que operam no mercado nacional, com espaço para desenvolvimento na ótica do crescimento verde. Os atributos de sustentabilidade e o desempenho ambiental são, hoje, “bons negócios” para as empresas portuguesas, ainda mais para aquelas cujos produtos e tecnologia têm o reduzido impacte ambiental como parâmetro estratégico essencial.

No contexto do crescimento verde, a inovação consiste na criação de produtos (bens ou serviços) ou processos novos, não se restringindo apenas às tecnologias ambientais mas passando também pela alteração de modelos de negócio que incorporam o conceito de “sustentabilidade”. Estes modelos baseiam-se em novas formas, custo-eficientes e custo-eficazes, de utilizar a energia e os materiais nos produtos, processos de fabrico e cadeias de valor, possibilitando a utilização sustentável dos recursos naturais, e contribuindo para soluções ambientais globais, não orientadas apenas para os sintomas.

Em Portugal, os incentivos e apoios a I&D&I para as empresas têm vindo a ser redirecionados para as tecnologias com maior maturidade tecnológica. A conjugação do investimento público com a iniciativa privada poderá, para além de dividir os custos associados, orientar a I&D&I, permitindo obter soluções para problemas específicos. Por outro lado, a criação de consórcios internacionais entre instituições de investigação também permitirá a repartição do investimento financeiro, ao mesmo tempo que potencia o acesso ao conhecimento e promove a internacionalização das tecnologias desenvolvidas.

Uma das orientações estratégicas com impacte no crescimento verde passará pelo incentivo à criação de riqueza baseada em I&D&I, permitindo a criação de novas empresas com um consequente aumento de emprego, em particular emprego científico. Neste contexto, o modelo de financiamento acentuará a aproximação ao tecido produtivo e assumirá a definição de áreas estratégicas ou clusters por região. Adicionalmente, incluir-se-ão medidas de estímulo a atividades de pré-incubação de empresas no seio das instituições de I&D&I e em ambiente universitário, e à criação de consórcios (de empresas, universidades e laboratórios do Estado) orientados para sectores estratégicos para o crescimento verde.

É particularmente pertinente a clara articulação com o Diagnóstico do Sistema Nacional de Investigação e Inovação e as Estratégias de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (RIS3) , as quais irão assentar opções-chave de investigação e inovação para o período 2014-2020. Sublinhe-se:

  • as áreas de intervenção em comum com o CCV (designadas por áreas prioritárias na RIS3), tais como: Água e Ambiente; Agroalimentar; Floresta; Energia; Mobilidade, Espaço e Logística; Habitat; Economia do Mar; e Turismo);
  • o alinhamento da visão subjacente às RIS3 com o crescimento verde: “Portugal deve consolidar ou fazer emergir a sua liderança na economia verde, na economia digital, e na economia azul através da utilização e desenvolvimento das vantagens adquiridas em tecnologias de informação e de comunicação e em novos materiais, e da exploração sustentável dos recursos endógenos nomeadamente do Mar, Florestais, Minerais. Enfâse será dada aos grandes desafios societais como as alterações climáticas para mitigação dos riscos, a biodiversidade, a água, e o envelhecimento.”

(…) Texto integral disponível em Compromisso para o Crescimento Verde.

O Compromisso para o Crescimento Verde estabeleceu 2 Iniciativas I&D&I no âmbito do Catalisador Investigação, desenvolvimento e informação:

 

  • Roteiro para a Eco-inovação – Lançar um Roteiro para a Eco-inovação que alimente prioridades nacionais de inovação em termos de sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos, alavancando a eco-inovação em Portugal (PFA: ANI; APA);
  •  Plano D – Tecnologias Disruptivas – Criar um enquadramento favorável para incentivar projetos de maior risco tecnológico (PFA: ANI; APA).